sexta-feira, 19 de novembro de 2010

No Brasil, são 4.703 homens pilotos de linhas aéreas e apenas 18 mulheres

Num ambiente em que os homens são quase absolutos, uma mulher catarinense se sobressai. Elisa Rossi é a única mulher comandante de avião, em Santa Catarina. Para se ter uma ideia do feito que é sua condição, são 4.703 homens pilotos de linhas aéreas no Brasil e apenas 18 mulheres, ou seja, 0,3% do total.
A gravata e o sapato são masculinos. E é só! Sombra, rímel, blush, batom, unhas bem feitas... Tudo denuncia que o comando da aeronave está com uma mulher. Elisa Rossi pilota aviões há 20 anos. Há três é comandante da Gol, única mulher entre os aproximadamente 1,5 mil comandantes da empresa.
— Ainda é um ambiente masculino, mas já foi pior. É uma profissão técnica, que exige gerenciamento. Não requer força física. Mulheres podem ser excelentes no comando do avião — afirma Elisa. (clique em MAIS INFORMAÇÕES  para continuar lendo a matéria)
Um episódio demonstra a mudança de comportamento. Recentemente, um passageiro, ao ver Elisa no comando da aeronave, foi até ela e disse: "Para estar aqui, você deve ser muito competente. Parabéns."
A comandante ficou lisonjeada. Comenta que ninguém entregaria uma aeronave de US$ 35 milhões e com 184 vidas (capacidade do boing conduzido por ela) para alguém que não fosse competente.
A saudade do filho Giuseppe, seis anos, quando ela chega a ficar seis dias longe de casa, é a única dificuldade no trabalho. Quando volta de viagem, dedica-se integralmente ao menino, levando-o na escola, na natação, na aula de inglês.
Para manter a forma, caminha diariamente. Pode ser em Florianópolis ou em Brasília, depende da escala. Também faz parte de um grupo de ciclistas que pedala pelas ruas da ilha à noite.
Entre os sinalizadores de vôo do Aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis, Elisa é conhecida como a musa do pouso sutil. Na aterrissagem, ela toca a aeronave no solo quase sem solavancos.
— A gente nem ouve nada — conta um sinalizador.
A comandante faz questão de usar maquiagem para ficar mais feminina.
— Em primeiro lugar, sou mulher. Não sou obrigada a me maquiar, mas não abro mão já que estou em um ambiente tão masculino. Uma vez uma passageira foi até a cabine e disse: nossa, você é bonita. Ela esperava uma mulher masculinizada.
Mas Elisa já viveu situações em que o passageiro não foi tão amigável. Uma vez, ao perceber que ela era a comandante do avião, um homem que se dirigia à aeronave simplesmente parou. Ficou na dúvida para embarcar. Mas acabou entrando no vôo. Depois, voou tantas vezes com Elisa que se acostumou e venceu o preconceito.

Paixão
A paixão por estar no ar não tem limites para ela e começou na adolescência. A menina sempre foi apaixonada por máquinas. Aos 12 anos, aprendeu a pilotar motos, sob os cuidados do pai. Aos 14, dirigiu o Opala paterno sozinha. Deu uma volta no bairro com o carro, algo que hoje ela não recomenda para ninguém. O primeiro curso de pilotagem foi aos 17 anos.
A comandante planeja abrir uma escola de aviação, em Florianópolis. Agora quer ensinar homens e mulheres a técnica do pouso sutil.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Feliz dia de Engenharia Aeronáutica

Mulher na aviação

Desde o primeiro voo de um balão de ar quente, em 1783, a aviação sempre foi um reduto do sexo masculino. Até que as mulheres decidiram entrar de sócias nesse tão seleto clube. Algumas, sem dúvida, merecem destaque especial, dadas as condições excepcionais que enfrentaram em seu tempo:

Amy Johnson, que em 1930 tornou-se a primeira mulher a voar sozinha, entre a Inglaterra e a Austrália. Durante o curso de aviação, seu instrutor lhe disse que ela só seria levada a sério na profissão se fizesse algo realmente notável. É isso mesmo, sendo mulher, não bastava pilotar um avião; era preciso fazer alguma coisa a mais, extraordinária. Não é fácil ser mulher...

Em 1932, a norte-americana Amelia Earhart foi a primeira mulher a fazer um voo solo transatlântico. Ela voou do Canadá à Inglaterra, em 15 horas e 18 minutos.
Três anos depois, ela voou pela primeira vez entre os EUA e o Havaí, também em voo solo. E em 1937, Amelia desapareceu no Oceano Pacífico em sua tentativa de tornar-se a primeira mulher a dar a volta ao mundo em um avião. A biografia de Amelia Earhart é muito rica de aventuras, e merece que se dê uma lida na página: http://pt.wikipedia.org/wiki/Amelia_Earhart

E no Brasil? A primeira mulher brasileira a se habilitar e trabalhar como aviadora foi Anésia Pinheiro Machado (1902-1999).
Mas no Brasil as coisas nunca são assim tão fáceis, pois a filial brasileira da International Organization of Women Pilots considera Tereza de Marzo a pioneira da aviação.
As duas eram contemporâneas, eram também colegas da mesma escola de aviação e tiveram o mesmo instrutor, com quem Tereza viria a se casar.

A audaciosa francesa Jacqueline Auriol, aos 34 anos, em 1951, tornou-se a primeira mulher a trabalhar como piloto de provas. Em 1953, Jacqueline rompeu a barreira do som e em 1963 chegou a alcançar a velocidade de 2038 km/hora, a bordo de um caça Mirage. Morreu em 2000, aos 82 anos.

Hoje as mulheres estão não apenas na aviação civil como também na militar. Certamente esse ainda é um campo a ser explorado e o que não falta é competência.